Joanópolis, a terra do Lobisomem
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Brasil 2021 · 3 min de leitura

Joanópolis, a terra do Lobisomem

Não tem como passar por lá e não reparar nos lobisomens espalhados pela cidade. Tudo começou quando a folclorista Maria do Rosário de Souza Tavares...

Não tem como passar por lá e não reparar nos lobisomens espalhados pela cidade.
Tudo começou quando a folclorista Maria do Rosário de Souza Tavares escreveu um livro contando as histórias curiosas que ouvia de gente de lá envolvendo o tal bicho. Isso foi em 1983.
O bicho virou tese de mestrado, gerou pesquisas acadêmicas e tem até associação para proteger e divulgar o lobisomem. Todo mundo conhece alguém que jura que o viu.
A cidade então vem explorando turisticamente esse assunto folclórico principalmente nas noites de lua cheia. Sou turista de carteirinha e fiz o que todo mundo faz. 
A cidade tem uns 13.300 habitantes. O nome Joanópolis vem de São João Batista, seu padroeiro.
A igreja Matriz São João Batista foi construída em 1910, no local onde foi levantado o primeiro mastro em homenagem a São João Batista.
Em frente à igreja tem uma pracinha típica de interior com coreto bonito.
Logo ali a gente vê a antiga farmácia São João com o nome ainda escrito com ph.
É um charme por dentro.
Outra curiosidade ali na praça é o pão PRP declarado como Bem Cultural da Estância de Joanópolis. Fui conferir na Padaria Central onde vem sendo feito desde 1936. A sigla é do o Partido Republicano Paulista. O padeiro era desse partido e insistiu em fazê-lo mesmo sabendo que o pessoal do Partido Comunista não o comeria. É em formato de X, aromatizado com erva doce, meio adocicado e feito em todas as outras padarias locais.
Entre várias paradinhas na cidade, certamente a melhor delas é o Empório Cachoeira.
Lá vendem produtos muito especiais.
O dono fica no fundo oferecendo degustação de linguiça defumada e coloca um vinagrete de pimenta que é maravilhoso (não resisti).
Eu desorientei com a variedade de antepastos e queijos.
É uma mistura de produtos.
Tem desde antiguidades, geleias de café com pimenta a boneco de lobisomem.
Não é barato, mas é de boa qualidade.
Logo abaixo tem um antiquário que também vende de tudo um pouco, inclusive cachaça.
Que tal a estratégia de venda? E na varanda a moça ainda vende sorvete.
Outro ótimo programa é visitar o Capril do Bosque. Fica a uns três km dali, estrada de terra.
Lá tem um Bistrô que serve receitas autorais com padrão de qualidade internacional. Tem que marcar hora. O lugar é simpático.
Tem uma lojinha que vende os produtos feitos com leite de cabra. A variedade é enorme e é uma oportunidade de levar os queijos ganhadores de prêmios como o Azul do Bosque, o Cacauzinho, o Pirâmide do Bosque. E por aí vai. Eu comprei dois tipos e estou apaixonada pelo sabor.
Dá para ver as cabras de uma forma mais informal ou marcar um tour oficial com visita à criação.
No tour você tem contato com as cabras leiteiras e os cabritinhos e aprende muito sobre o manejo modelo.
No Portal da cidade, repare nas montanhas. É a serra do Lopo com 1725m de altitude. Tente reconhecer o Gigante Adormecido. Parece mesmo um homem deitado. Existem outros locais para visitar como a Cachoeira dos Pires, Pico do Selado, a Represa Jaguari/Jacareí, a Pedra do Medo e a Cachoeira dos Pretos onde acampamos e contei no post anterior.
Indo embora da cidade em direção a Piracaia, você vai ver uma plantação de morangos na beira da estrada. Eles produzem lá oito tipos de morangos.
Tem uma barraca para compra-los. Vendem também outros produtos como ameixas, champignon, physalis e linguiça caseira defumada. Vale a pena parar lá na ida ou na volta.
Mais adiante, um pouco antes de Piracaia tem o Alambique Piracaia, também conhecido como alambique do Lafaiete.
Eu adorei ver o Sr. Lafaiete moer a cana ele mesmo e depois ficar de olho nos tanques de decantação.
O lugar cheira cachaça boa.
Nos fundos tem um local gostoso com mesas onde ele servia caipirinha antes da pandemia. Tem cachaça de vários tipos e a que eu comprei achei excelente e suave. Bom para dar de presente. A cachaça dele é famosa e respeitada.

 

Com saudade,

Virginia

Publicado originalmente no blog

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