Jundiaí - Rota da Uva
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Brasil 2026 · 5 min de leitura

Jundiaí - Rota da Uva

Vocês vão conhecer aqui um pouco sobre quatro das doze vinícolas e adegas que compõem a Rota da Uva. Como um todo, há de 20 a 40 se considerarmos...

Vocês vão conhecer aqui um pouco sobre quatro das doze vinícolas e adegas que compõem a Rota da Uva. Como um todo, há de 20 a 40 se considerarmos também a Rota do Castanho e a Rota da Cultura Italiana, no bairro do Traviú. O lugar promete, não é? Vou colocar pela ordem da rota mesmo.
Adega Beraldo di Cale, acho que foi a minha favorita.
Adega Beraldo di Cale, Jundiaí, SP
Tem um rio que passa ao lado e enfeita tudo.
Há uma lojinha muito bem arrumada, toda charmosa.
Lá, claro, pode-se provar vinhos, sucos e também a Mexeriquinha, que é o nome oficial da cachaça com casca de mexerica, uma bebida curtida com 30% de teor alcoólico. É gostosa, mas adocicada. Imagino que fique ótima para fazer drinks.
Adega Beraldo di Cale, Jundiaí, SP
O lugar do restaurante é muito agradável.
Adega Beraldo di Cale, Jundiaí, SP
Tem uma parte coberta e outra sob as árvores.
Achei muito bem cuidado e com um paisagismo lindo.
Ah, eu adorei os rótulos de vinho deles com a carinha do lugar.
Adega Beraldo di Cale, Jundiaí, SP
Gente, eu não sou apreciadora de vinho, então trouxe um por causa do rótulo e um suco de uva.
Um detalhe bonito da história do lugar: o nome "di Cale" é uma homenagem ao patriarca Beraldo Paolini, que chegou ao Brasil em 1905, com apenas 12 anos, vindo de Cittaducale, uma cidadezinha a cerca de 80 km de Roma.
Restaurante Spiandorello. Este começou com dois irmãos, Moacyr e Clóvis, em 1958. Há uma casa centenária, um café bem grande.
Restaurante Spiandorello, Jundiaí. 
Dentro deste tonel gigante há uma lojinha que estava fechada.
A Casa da Nona vende produtos como pães, biscoitos e geleias. Tem um pão de uva que também dizem ser uma delícia. Também não estava aberta porque cheguei muito cedo.
Restaurante Spiandorello, Jundiaí. 
Pelo tamanho de todas as instalações, a coisa ferve aqui nos finais de semana. O estacionamento é imenso e há muitas mesas.
Restaurante Spiandorello, Jundiaí. 
Ali também passa um rio, e há um caminho por um bambuzal muito bonito e vários patinhos. Em todas elas, o que não falta é o frango com polenta frita e uma bebida chamada Turbaína. Deve ser prima da Guaranita.
Rota da Uva, Jundiaí
Vila Brunholi. Esta tem um esquema maior ainda, mais sofisticado. Há também um salão de eventos imponente separado, ali próximo. Há um restaurante bem chique, com manobristas.
Adega Brunholi, Jundiaí. Rota da Uva.
A loja fica no nível da rua e é muito bonita.
Tem umas garrafas bem diferentes e uma decoração moderna.
Adega Brunholi, Jundiaí. Rota da Uva.
Comprei um azeite maravilhoso, aromatizado com raspas de limão siciliano. No alto do morro há uma fazendinha e playground. O estacionamento é enorme. Posso imaginar isto lotado.
Rota da Uva, Museu do Vinho, Jundiaí
Ao lado da loja fica o Museu do Vinho, dentro de um tonel, e não é um tonel qualquer: tem 6 metros de altura e capacidade para guardar até 110 mil litros de vinho! Eu sempre fico emocionada com a história dos imigrantes.
Rota da Uva, Museu do Vinho, Jundiaí
Fico pensando na coragem deles naquela época, com poucas informações, de vir com a família sem saber o que os aguardava. O patriarca da família, Antônio Brunholi, o "Nonno", desembarcou no porto de Santos em 1889, vindo de Verona, na Itália, e teve dez filhos com Emma Balzanelli, que conheceu depois de se estabelecer aqui no Caxambu.
Rota da Uva, Museu do Vinho, Jundiaí
Todas as histórias são de muita luta e, pelo visto, puderam ser recompensadas, depois de tanto tempo, pelo seu trabalho. Um detalhe que achei bonito: o museu foi montado em 2002 com a colaboração de outras famílias tradicionais de Jundiaí, entre elas, justamente a família Spiandorello, do restaurante que visitei antes.
Adega Brunholi, Jundiaí
Ou seja, os dois lugares do meu roteiro estão ligados por essa história.
Adega Maziero. Famosa porque um certo vinho produzido por eles foi o escolhido para ser servido aos Papas Bento XVI, em 2007, e Francisco, em 2013.
Adega Maziero, Rota da Uva
Ele hoje leva o rótulo de Vinho Canônico, reconhecimento concedido pela Diocese de Jundiaí somente em 2023, depois de uma análise laboratorial rigorosa e inspeção da vinícola.
O vinho dos Papas, da Adega Maziero.
Este eu provei e espero que Deus me perdoe, mas achei um horrorzinho. Vai ver que é porque não gosto mesmo de vinho. De lá trouxe um vinagre balsâmico bem gostoso. Quero deixar claro que sei que eles têm bons vinhos, viu? 
Adega Maziero, Rota da Uva, Jundiaí.
É uma loja grande com muitos barris e outros produtos.
Vi lá o tal pão de uva. O atendimento em todas é muito simpático, inclusive, aqui só aceitam Pix ou dinheiro, e eu não estava com o celular do banco. A moça, na mesma hora, anotou num papelzinho o Pix e o valor para que eu fizesse quando chegasse em casa. Achei impressionante a confiança. A propriedade, aliás, é enorme: tem 10 hectares com mais de 60 mil pés de uva, produzindo cerca de 60 mil litros de vinho por ano, boa parte distribuída para mais de 20 igrejas da região.
Kiosque Roseira, Jundiaí
Vocês não vão acreditar, mas no fundo, eu fui até Jundiaí porque queria experimentar uma coxinha muito premiada feita com massa de mandioca.
Kiosque Roseira, Jundiaí
Ela é feita no Kiosque Roseira, que fica bem ali entre as vinícolas.
Kiosque Roseira, Jundiaí
É bem arrumado e tem estacionamento bem na frente.
Kiosque Roseira, Jundiaí
Tem uma história linda de gente trabalhadora e criativa.
Coxinha com massa de mandioca do Kiosque Roseira, Jundiaí
A mais famosa é a de queijo. Acabei passando lá na ida e na volta. É ótima mesmo.
Coxinha com massa de mandioca do Kiosque Roseira, Jundiaí
Pela casquinha dela dá para ver que é de mandioca. Tem sabor da minha infância.
O molho de pimenta feito lá também é especial, e eu trouxe um.
Rota da Uva, Jundiaí.
Na beira da estrada, uma barraca de frutas muito arrumada. A dona também é de família italiana. Me disse que são todos ali meio parentes. Bom, voltei com aquele sabor de "quero mais", pois cada uma das adegas tem um estilo peculiar e encantador. A região tem morros e é muito bonita. No fim do dia, o que mais fica é essa mistura de sabores, histórias e gente que trabalha com tanto carinho pela terra dos avós. Vale muito a pena conhecer.

Com saudade,

Virginia

Publicado originalmente no blog

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