Antes de viajar para a Espanha, um sonho muito antigo, assisti a muitos vídeos de viajantes no YouTube. Um dos que mais gostei, e que foi mais útil para me abrir os olhos em todos os momentos, foi o Espanha Total. Devo a eles várias das delícias que experimentei no pouco tempo que tive.Bom, eu tinha uma listinha de coisas típicas que queria provar. Vou contar a seguir meio sem lógica, até porque não posso garantir com precisão onde nem quando comi cada coisa.Visitamos a região da Andaluzia. Cada cidade tem seu prato típico. Daqui para a frente posso fazer confusão, mas isso não é o mais importante. |
| Restaurante Perromedio, Granada |
Só sei que uma das minhas surpresas mais adoráveis foi beringelas com melado. Como não pensamos nisso antes? É daquelas que, mesmo quando é ruim, é bom.  |
| Granada, Berenjenas al miel. Restaurante La Cuchara de Carmela |
Provei de várias formas, em diversos lugares. As berenjenas al miel de caña. Hoje pesquisei a receita e fiquei surpresa. Tem detalhes que fazem a diferença.
 |
| Ronda- Paella no Restaurante Hermanos Macías |
Paella eu provei quando deu, já que adoro. A melhor foi esta.
O açafrão verdadeiro é vendido na Espanha quase como joia. Não tem barganha. |
| Hotel Mellia Lebrones, Sevilla. |
Como adoro frituras, provei todas as croquetas que pude. Honestamente, qualquer croquete nosso arrasa mais. Lá, eles são bons, mas diferentes. Têm um creme meio… indefinido. Sempre vêm bem arrumadinhos, mas com sabor muito semelhante entre si. |
| Cola de toro no Restaurante Hermanos Macías, Ronda |
O famoso “cola de toro” nada mais é do que a nossa boa e velha rabada. Não comi, mas as amigas amaram.
 |
| Bar Bribone no Hotel Melliá Madrid Princesa |
Demos sorte de ser temporada das alcachofras. Também foi uma das melhores coisas que comi. |
| Plácido Restaurante, Toledo |
Não saberia fazê-las assim: desmanchando, saborosas, com ótimos acompanhamentos. Esta veio com um creme de trufas e ainda, o que acabo de descobrir, é sal de jamón. É meio flocado. Vou ter que achar este produto, deu um toque todo especial ao prato.  |
| Polvo no bar Cervecería Giralda, Sevilla |
Eu insisti no polvo (pulpo) e me dei bem. Esta cervejaria fica num Hamman restaurado do século XII. |
| Granada - Restaurante Perromedio |
Outro polvo maravilhoso em ambiente muito aconchegante foi em Granada. O acompanhamento: chips de batata doce e sal negro.  |
| Granada - Restaurante Perromedio |
No mesmo restaurante, Perromedio, serviram esta salada que estava maravilhosa. Aliás, as saladas são ótimas, de modo geral.
 |
| Bacalhau, D'Gusto Creativo, Sevilla |
Comi um bacalhau, que lá é fresco, com uma caminha de creme de aspargo branco, um toque de azeite bem verdinho e ovas de algum peixe. Foi o máximo. Eu, que não bebo vinho, curti cada taça. O danado do vinho, mesmo o da casa, é bom mesmo.Ah, e os jamóns ibéricos! Fui ao El Corte Inglés, no supermercado que é um sonho para quem gosta de comida, e falei para a moça, nem sei em que língua: “Moça, eu quero provar o melhor jamón de toda a Espanha. 50 gramas." Morri de medo do preço. Aprendi que "100% ibérico" significa que o animal é puro da raça ibérica. Isso não garante a alimentação. Já o "jamón ibérico de bellota" vem de porcos criados soltos e que comem principalmente bellotas (não avelãs) no final, além do pasto. Bellota é o fruto do carvalho.
Ela escolheu um que eu não escolheria, mais “feinho”. Questionei, e ela me mostrou o selo, pata negra, selo preto etc. Fatiou na hora, me deu uma prova. Valeu. Check!Tem lojinhas de jamón por todo lado. Se eu falo espanhol? Acho que não, mas me viro muito bem. Em qualquer língua, “por favor”, “com licença” e “muito obrigada” já quebram muitas barreiras. |
| Restaurante 1a Espera em Granada |
Eu queria provar anchovas frescas. Eles oferecem mais as fritas (boquerones fritos).Uma delícia, suaves, bem sequinhas. Nada a ver com lambari ou sardinha. A outra opção é em conserva no vinagre. Bom também, mas prefiro menos azedinhas, com mais azeite.As tapas mesmo, provei pouco. As amigas não curtiram a ideia do pão. Estávamos em grupo, com horários definidos e, muitas vezes, teríamos que comer em pé. Os mais apetitosos que vi foram no Mercado San Miguel, em Madri.  |
| Tapas no Mercado San Miguel, Madri |
Que apresentação! Mas estava lotado.
 |
| Bar Bribone no Hotel Melliá Madrid Princesa |
Uma coisa típica de Madri é o pão com lula frita em anéis: bocadillo de calamares. Parece seco para nós, mas tem por todo lado, principalmente na Plaza Mayor. Uma amiga provou e gostou. Os pequenos pimentões são bem típicos, meio adocicados. Adorei.Outra coisa deliciosa são as saladas de batata (ensaladilla rusa). Todas que provei estavam ótimas, com ou sem atum.
 |
| Flamenquim , Taberna Ágora Mezquita, Córdoba |
Em Córdoba, experimentamos o flamenquín: carne de porco fininha com presunto e jamón, empanada e frita. Gostoso.
 |
| Bar Cervecería Giralda, Sevilla. Solomillo al whisky |
Solomillo al whisky foi aprovado também. Estávamos em cinco e todas experimentavam todos os pratos. Tortilla de patata também é muito popular. Há lugares antigos onde há até fila para comê-las. No hotel serviram no café da manhã. É basicamente ovos e batata. Algumas têm cebola. As tradicionais são moles por dentro. O ovo não deve cozinhar muito.
Também provamos camarones fritos, aqueles mini camarões, tipo tempurá.
 |
| Bar Cervecería Giralda, Sevilla. |
Também amei os chipirones, lulinhas pequenas geralmente grelhadas. Perfeitas. Acima, chipirón sobre arroz negro. Este segundo comi no restaurante do El Corte Inglés, com arroz tailandês e cebolas caramelizadas.No supermercado, procurei azeites especiais, mas vinham em embalagens muito grandes. Acabei comprando umas latinhas em uma cooperativa em Setenil de las Bodegas. Mais fresco, impossível.Fora isso, me perdi nas latarias de pimentões, azeitonas recheadas, trufas e nas latinhas de pimentón de La Vera, que levantam qualquer prato. As Tortas de Aceite Inés Rosales são um doce tradicional da Andaluzia, fabricado artesanalmente desde 1910. São bolachas finas, crocantes e folheadas, feitas à mão uma a uma. Base de Azeite de Oliva Virgem Extra (AOVE), farinha, açúcar, erva-doce (anís) e gergelim. São 100% naturais (sem conservantes), veganas e possuem certificação de especialidade tradicional garantida. Além da original de anís, existem versões de laranja, limão, canela e até opções salgadas. É um acompanhamento clássico para o café ou chá, muito fácil de encontrar nos mercados de Madri. Mais uma das dicas do Espanha Total. Adorei e o pessoal do grupo também curtiu muito. Quebram um galho na viagem como petisco e literalmente quebram no transporte. Também tem os snacks de milho (kikos), ótimos. Melhor do que no Peru.Semente de girassol (pipas), dizem ser uma mania nacional. Não provei, mas fotografei.Quanto aos doces, uma torta típica é a de queijo. (tarta de queso al horno) |
| Setenil de Las Bodegas, Torta de queijo com pistache |
Inventei de pedir uma com pistache em Setenil de las Bodegas e estava fraquinha. Depois, nossa guia pediu a tradicional e adorei. É pouco doce e estava geladinha. |
| Turrón, Toledo |
Em Toledo também encontramos turrón. |
| Loja do torrone Vincens em Toledo |
Acabei comprando o torrone Vicens, de 1775. A variedade é enorme, as lojas são lindas e eles ficam na porta oferecendo degustação. São ótimos. Fiz a bobagem de comprar sem açúcar para mim e com açúcar para presentear. Comi a minha barrinha inteira de uma vez. Em Toledo, o forte mesmo é o mazapán. O mais famoso e antigo é o Santo Tomé. É a marca mais prestigiada desde 1856 e mantém a receita original. Os docinhos, por lei, deveriam ter 50% de amêndoas. |
| Loja de marzipán Santo Tomé em Toledo |
O concorrente do São Tomé é o San Telesforo, desde 1806.  |
| Café de Las Monjas em Toledo |
Não fomos até este outro, mas encontramos o Café de Las Monjas. Elas também os fabricam há séculos.Elas têm uma vitrine fofa demais. Fomos bem recebidas e provamos uma torta de marzipán que estava ótima. Digo isto pois foi meio problemático estarmos em grupo. E por falar em doces, fomos ao El Riojano, em Madri. |
| El Riojano, Madri. |
O lugar é de 1855. Houve espera para conseguirmos lugar no Salón de Té. |
| Madri, El Riojano, torrijas |
Provamos diversas delícias e um chocolate quente denso maravilhoso. Tudo com a cara ótima. O fato de podermos provar de tudo foi ótima ideia.  |
| Madri, El Riojano, torrijas |
A confeitaria foi fundada por Dámaso de la Maza, que era o pasteleiro pessoal da Rainha Maria Cristina de Borbón.  |
| El Riojano, Madri |
O prestígio era tanto que a própria rainha cedeu os seus melhores carpinteiros e artesãos do Palácio Real para decorar a loja.Nesse meio tempo, todo mundo tomou sorvete todos os dias. Eu tomei um só: de café, da Heladería Los Italianos, em Granada. Mais pela história deles. Fundada em 1936 pela família De la Riva, que emigrou do norte da Itália, a casa mantém a mesma essência há quase 90 anos. Para os habitantes de Granada (granadinos), a primavera não começa oficialmente com o calendário astronômico, mas sim no dia em que a Los Italianos abre suas portas. As filas dobram a esquina nesta ocasião. |
| La Abuela, Granada |
Não tomei gelato porque sou doida por frituras. Não dá para ter tudo nesta vida.  |
| Málaga, La Loca |
É muita coisa. Tem os churros em todas as cidades com e La Loca do La Farola em Málaga. Vou parar por aqui.Umas observações:
Os garçons só aceitam uma conta por mesa. É uma chatice isso, pois sempre um tem que pagar e os outros têm que acertar depois. Mesmo pagando com celular, eles não querem nem saber.
Os restaurantes têm horários malucos. A vida começa mais tarde, tem pausa no almoço para as lojas e depois reabrem e vão até mais tarde.
Viajei com a Priori Travel e recomendo. Deu tudo certo. Eles têm guias locais muito cultos, além de dois fixos queridos: O Diogo que foi do Brasil com a gente e permaneceu junto e a Erica Ferreira que nos acompanhou na Espanha e é especialista em Marrocos.
Publicado originalmente no blog
Ver no blog original →